Primeira vítima da Ditadura foi um militar contrário ao Golpe de 64, segundo a Justiça Federal

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O tenente-coronel da Aeronáutica, Alfeu de Alcântara Monteiro foi assassinado ”por motivações político-ideológicos”, ao contrário do que informava a versão oficial da época.

Por Rafael Bruza

Na semana passada, a Justiça Federal reconheceu o tenente-coronel da Aeronáutica, Alfeu de Alcântara Monteiro, como a primeira pessoa a ser assassinada pelo Regime Militar após o Golpe de 1964, que completou 55 anos neste domingo (31).

Alfeu de Alcântara Monteiro se opôs à mobilização que retirou João Goulart da Presidência da República e foi morto quatro dias depois da mesma, dentro do quartel em Canoa, no Rio Grande do Sul.

Na semana passada, o Ministério Público informou que a União fez mudanças em documentos oficiais para constar que Monteiro não foi assassinado por legítima defesa, como dizia a versão oficial, mas sim dentro do quartel, depois que os militares tomaram o poder.

Na decisão que reconheceu Monteiro como a primeira vítima da Ditadura, o juiz federal Fabio Hassen Ismael escreveu que o militar morreu em um “ato de exceção” em “contexto de violação a direitos humanos, por motivações político-ideológicas decorrentes do regime militar instaurado”. A ação também foi movida por ativistas de Direitos Humanos.

Monteiro não era bem visto pelo lado que promoveu o Golpe Militar porque, em 1961, segundo testemunhas, havia se recusado a participar do bombardeio do Palácio Piratini, em Porto Alegre (RS), onde o então governador Leonel Brizola organizava uma resistência para garantir a posse de Goulart, então vice-presidente, após a renúncia de Jânio Quadros.

Na noite de 4 de abril de 1964, Monteiro foi chamado ao gabinete do novo comandante do Quartel-General da 5ª Zona Aérea em Canoas, o brigadeiro Nélson Freire Lavanere-Wanderley, que havia chegado naquele dia como interventor do grupo golpista e dado voz de prisão a vários militares. O brigadeiro estava acompanhado do coronel Roberto Hipólito da Costa, sobrinho do novo presidente da ditadura, Humberto de Alencar Castello Branco. Minutos depois de se apresentar, Monteiro foi assassinado na sala do comandante.

No inquérito controlado pela Aeronáutica, tanto Wanderley quanto Costa afirmaram que Monteiro recusou a prisão, por entendê-la um ato arbitrário, sacou um revólver calibre 32 e, no meio de uma áspera discussão, disparou contra Wanderley, atingindo-o de raspão no rosto e no ombro esquerdo. Em seguida, Costa, que viu a cena, sacou uma pistola e deu vários tiros em Monteiro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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