Professora é afastada após alunos cantarem funk com ideias de Karl Marx

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Captura do vídeo dos alunos
Captura do vídeo dos alunos

Defensores da ‘Escola sem Partido” criticaram o vídeo em que os alunos de uma escola estadual de Curitiba aparecem cantando versão de “baile de favela” que trata ideias de Karl Marx como a mais-valia ou a luta de classes.

Informação – Redação

Uma professora da rede pública de ensino do Paraná foi afastada de seu cargo após a divulgação de um vídeo em que seus alunos aparecem cantando uma versão da música de funk “Baile de Favela”, do MC João, que trata ideias de Karl Max na letra (veja a gravação abaixo).

O vídeo dos alunos do ensino médio do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendei, localizado na região sul de Curitiba, viralizou na Internet e obteve mais de milhares de visualizações no Youtube.

A letra cantada pelos alunos diz: “O Karl Marx estudou economia / E também estudou sociologia / Quer nos explicar a luta de classes / Pela ideologia, alienação e mais valia / Os burgueses, não moram na favela / Estão nas empresas explorando a galera / e os proletários, o salário é uma miséria / Essa é a mais-valia, vamos acabar com ela, vai / O Karl Marx é baile de favela / O 1º B é baile de favela / O Maria Gai é baile de favela / O capitalismo está acabando com a galera / Sociologia é baile de favela / A professora é baile de favela / E os trabalhadores são baile de favela / E os capitalistas estão roubando a galera”.

 

A gravação virou assunto de sites e blogs de jornalistas, inclusive de partidários da chamada “Escola sem Partido”, que se posiciona contra o que chama de “doutrinação marxista”, supostamente imposta a alunos realizada dentro das salas de aula.

Um desses blogs é o do ex-jornalista da Veja, Rodrigo Constantino, que chamou o vídeo de “um retrato perfeito do que esses canalhas (professores) fazem com nosso país, com as crianças e adolescentes”.

“A doutrinação ideológica é absurda. O marxismo é de um equívoco intelectual impressionante, de um atraso sem igual. Provou-se errado em tudo, e só gente muito atrasada acredita em ‘mais-valia’ capitalista, em lucro como exploração de salário não pago. Coisa de povo tupiniquim, em suma”, escreveu Constantino em seu blog.

Com a repercussão do vídeo na Internet, a professora foi afastada pela diretoria do colégio por exposição dos alunos e “difamação” da instituição.

Ela explicou ao ‘Brasil de Fato’, que pretendia incentivar os estudantes a compreender melhor os teóricos da sociologia, como Émile Durkheim, Karl Marx, Erving Goffman, entre outros autores incluídos nas diretrizes curriculares.

“Íamos começar a estudar Max Weber”, explica.

Na última quarta-feira (06), os estudantes do colégio imprimiram cópias da versão cantada na sala de aula e cantaram durante intervalo. Um dos alunos falou com o portal Brasil de Fato.

“Começamos a gravar a manifestação, os alunos gritavam ‘volta Gabi’ e os funcionários do colégio quiseram tomar os celulares, mandando todo mundo apagar as imagens. Logo depois de uma confusão com um estudante que discordava da ação, a diretoria chamou a patrulha e vieram três viaturas da Rotam. Entraram no colégio com escopeta e tudo”, relatou o aluno.

Escola sem partido / Análise

O caso do vídeo dos alunos e da professora ganhou repercussão porque o movimento “Escola sem Partido” vem sendo debatido com frequência na imprensa e no poder Legislativo.

Seus criadores e defensores afirmam que pretendem “dar visibilidade a instrumentalização do ensino para fins políticos, ideológicos e partidários”.

A página em que o movimento cita seus objetivos indica que “o modo de fazê-lo é divulgar o testemunho das vítimas, ou seja, dos próprios alunos”.

Na página do movimento é possível encontrar denúncias de professores que se declaram de esquerda.

No geral, a iniciativa se posiciona contra qualquer tipo de imposição ideológica nas escolas, apesar de ser mais crítico com o que chama de “doutrinação marxista” feita nos alunos através da imposição de pontos de vista e a prioridade concedida à visão “esquerdista” da história e da sociedade em livros didáticos (conforme indica “esse artigo” de Fernando Shuller na revista Época).

Atualmente há três projetos de lei na Câmara dos Deputados que foram inspirados nas intenções da Escola sem Partido. Todos foram feitos por deputados do PSDB.

O projeto de Rogério Marinho (PSDB/RN) tipifica o crime de “assedio ideológico” em sala de aula e prevê penas de até um ano de prisão e multas para professores.

Já o de Izalci Lucas Ferreira (PSDB – DF), prevê a aplicação do programa do Escola sem Partido em 11 estados e câmaras municipais.

A iniciativa do Escola sem Partido e a luta contra a suposta “doutrinação marxista” também foram levadas por Alexandre Frota e Marcello Reis, que participaram das manifestações pró-Impeachment, ao ministro da Educação, Mendonça Filho. Mas recentemente, em audiência pública realizada no Senado Federal, o ministro interino se disse contrário aos projetos de lei que pertencem à iniciativa. Ele alega que a liberdade de expressão garante o acesso a todas as correntes de pensamento.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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