PT se distancia de partidos pró-Impeachment nas eleições municipais

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Em diversas cidades, o partido manteve aliança com o PC do B e abdicou de coalizões com o PMDB, o PP, entre outras siglas que votaram a favor do Impeachment.

Análise – Rafael Bruza * com informações da Folha de S. Paulo

O presidente interino, Michel Temer (PMDB), e a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT) / Foto - Reprodução
O presidente interino, Michel Temer (PMDB), e a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT) / Foto – Reprodução

O Impeachment de Dilma Rousseff alterou o cenário político das eleições municipais de outobro, que escolherão prefeitos e vereadores por todo Brasil.

Em maio, quando a presidente Dilma Rousseff foi afastada da Presidência da República, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o partido não faria alianças com siglas que votaram a favor do Impeachment.

Quase três meses depois, o PT de fato se manteve distante de partidos pró-impedimento. Pretende lançar candidatos próprios em 20 das 26 capitais e rompeu todas as alianças com o PMDB, partido do presidente interino, Michel Temer, com exceção de Aracajú (SE), onde os partidos estão unidos em torno do PC do B.

Em 2012, quando ocorreram as últimas eleições municipais, o PT lançou chapa única em apenas 3 capitais. E em diversos municípios, eram comuns as alianças com partidos que votaram a favor do Impeachment, como o PP e o PSB.

Mas essa realidade mudou.

Em diversas cidades, o PT fará coalizões com partidos de esquerda como o PC do B, PSOL, PT do B, entre outros. Em Manaus (AM), o partido inclusive negocia aliança com o PCO e o PSTU. A tendência é que o discurso de campanha dos candidatos do partido seja mais ideológico e as campanhas mais baratas, em situação mais próxima das origens do PT.

“A crise política influiu nas alianças e tomamos a decisão de priorizar partidos contrários ao golpe. Vamos para a campanha defender o nosso legado e mostrar nossa visão política humanizada”, disse o secretário de organização do PT, Florisvaldo Souza, ao jornal Folha de S. Paulo.

Em Goiânia, a aliança de oito anos com o PMDB terminou e o PT se aliou com partidos como o Pros e o PT do B.

E em Belo Horizonte (MG), o PT abandonou aliados como o PMDB e PRB, que ajudaram a eleger o governador petista, Fernando Pimentel.

À Folha de S. Paulo, o pré-candidato Reginaldo Lopes disse que não pretende “negociar alianças sem ideologia e fazer uma campanha artificial na televisão”, indicando que seu desejo é “romper com esse modelo”.

Outra exceção à tendência de se distanciar de partidos pró-Impeachment acontece em Rio Branco, capital do Acre, onde o pré-candidato a prefeito, o petista Marcos Alexandre, formou aliança com 15 siglas que incluem o PROS, PC do B, PMB, PSB, PTN, PRPR, PV, PPL, PSDC, PHS e PSOL.

Em Palmas (TO), o partido pretende formar chapa com o PSOL, formado em 2005 por dissidentes do PT que estavam descontentes com as alianças de Dilma e Lula.

Mas no Rio de Janeiro e em São Paulo, PT e PSOL possuem diferentes candidaturas.

Fernando Haddad pretende ser o primeiro petista a se reeleger na maior cidade do país (SP) e entre outros partidos, formou aliança com o PC do B.

Essa coalizão se repete no Rio de Janeiro, onde a deputada federal Jandira Feghali (PC do B – RJ) disputa a prefeitura com apoio do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Tanto no Rio quanto em São Paulo, o PSOL lançou candidato próprio: Marcelo Freixó e Luiza Erundina, respectivamente.

Em outras cidades como Florianópolis, partidos de esquerda formaram grupos como a Frente Povo sem Medo.

O caso é que o PT vem formando alianças com partidos de esquerda que votaram contra o Impeachment de Dilma Rousseff, apesar de haver oposição entre as siglas progressistas em outras cidades, como Rio ou São Paulo.

Com isso em mente, cabe analisar se a restrição de alianças também pode significar isolamento político em algumas cidades. Na prática, é o que costuma acontecer quando um partido faz menos alianças.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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