A renúncia de Eduardo Cunha interessa a Michel Temer

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E o apoio de aliados de Temer interessa a Cunha, então uma mão lava a outra.

O presidente interino, Michel Temer, e o deputado Eduardo Cunha / Foto - Reprodução
O presidente interino, Michel Temer, e o deputado Eduardo Cunha / Foto – Reprodução

Opinião – Rafael Bruza

Não vejo razão para comemorar a renúncia de Cunha…

Todos os jornais deram essa notícia na primeira página nesta sexta-feira (08), mas poucos se atreveram a falar sobre o “acordão” que está acontecendo entre Cunha e o Governo interino.

A renúncia interessa a Temer pela troca na presidência da Câmara, onde Waldir Maranhão atua com o que o jornal O Globo já chamou de “conduta errática” em uma matéria, contrariando as intenções do Governo interino em diversas ocasiões.

Então o presidente da República interino não quer que o presidente da Câmara interino fique no cargo.

Na verdade, quer ele fora.

Em paralelo, Cunha quer salvar o mandato (seu salário e foro privilegiado) e precisa de apoio de deputados tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no Conselho de Ética para obter resultados favoráveis em votações e, assim.

É aí que começa o acordão.

Temer quer Maranhão fora e precisa da renúncia de Cunha para fazer novas eleições na Câmara.

Cunha quer salvar seu mandato e precisa do apoio de aliados de Temer para ter votos a seu favor no CCJ e no CE.

Uma mão lava a outra.

Cunha renuncia, deputados aliados do Governo interino dão apoio na CCJ e no CE, enquanto Michel Temer tem espaço livre para eleger um presidente da Câmara favorável a ele e a seus interesses até 2017.

E obviamente será um aliado de Eduardo Cunha.

Falam em Espiridião Amim (PP – SC), Jovair Arantes (PTB – GO) e Rogério Rosso (PSD – DF). Todos aliados do ex-presidente da Câmara.

Portanto não há motivos para comemorar uma renúncia vendo o Governo Federal negociando nesse nível com um dos homens mais corruptos, poderosos e cínicos que esse país já viu.

Simplesmente não dá.

Acabem com o mandato de Cunha e prendam-no ao invés de negociar. Aí teremos algo a comemorar. Mas ainda assim seria uma gotinha de consolo no meio desse oceano de frustração que e nossa classe política.


Atualização: o jornal Extra disse que o acordo de Cunha com o Governo foi fechado na quarta-feira (06), quando Cunha protocolou um aditamento pedindo a devolução de seu processo ao Conselho de Ética, argumentando que seu julgamento no colegiado foi feito quando ele era presidente, algo que mudou na quinta-feira (07). Então o acordo saiu oficialmente na imprensa.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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