Tabata comenta o voto a favor da MP da Liberdade Econômica; Zeca Dirceu fala sobre ausências no PT

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(Assista) Tabata disse que a medida “ajuda a gerar crescimento e empregos”, enquanto Zeca Dirceu criticou a proposta.

Por Rafael Bruza * a entrevista com Zeca Dirceu é do jornalista Willian Faria, parceiro do Independente

Na semana passada, internautas e eleitores contrários à Medida Provisória da Liberdade Econômica, apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro, criticaram os votos de 15 deputados do PDT a favor da medida, que faz mudanças nos direitos dos trabalhadores e alterações nas regras para abertura de empresas. Também houve críticas nas redes sociais a 21 deputados do PT que faltaram na votação do texto-base da proposta, no dia 13 de agosto.

Na Câmara dos Deputados, o texto foi aprovado, por 345 parlamentares contra 76. A MP está em vigor desde 30 de abril, quando foi publicada no Diário Oficial da União. A proposta foi encaminhada ao Senado, onde precisa ser aprovada até o dia 27 de agosto para não perder a validade. Há expectativa de que a casa vote a medida ainda nesta semana.

As críticas e posições

No PDT, 15 parlamentares, do total de 23, votaram a favor do texto-base da medida de Jair Bolsonaro, no dia 13. Tabata Amaral foi um deles – e recebeu críticas por conta do voto.

“#TabataTraidora como é receber dinheiro da educação pra votar contra o interesse dos trabalhadores?”, questiona no Twitter um internauta contrário à MP da Liberdade Econômica.

“Doidinha para ser expulsa do PDT… Agora votou a favor da mini-reforma trabalhista de Bolsonaro. Essa aí se desenvegonhou e perdeu completamente a dignidade. Traidora da classe trabalhadora!”, criticou outro.

A parlamentar já era alvo de correligionários e foi suspensa do PDT em julho, por ter votado a favor da Reforma da Previdência, também proposta pelo Governo de Jair Bolsonaro.

Depois do voto favorável à MP da Liberdade Econômica, Tabata usou seu perfil de Twitter, neste sábado (17), para comentar sua posição sobre a medida.

A pedetista afirmou que participou da obstrução (à votação) entendendo que “o texto estava muito confuso” e exigia mais debate antes de ser votado.

“Quando a gente perdeu isso (a obstrução) e o texto de fato foi para votação, o PDT liberou a bancada e eu fui favorável à boa parte do texto porque entendo que ajuda a gerar crescimento e empregos”, argumentou Tabata. “Tem uma parte (do texto) que me preocupou que tentava de fato enfraquecer nossas leis trabalhistas. Então pude me manifestar contra isso na votação dos destaques”.

O partido de Tabata, o PDT, apresentou uma emenda para retirar do texto da Medida Provisória da Liberdade Econômica (881) a autorização de trabalho aos domingos e feriados, uma das principais modificações reivindicadas pelos partidos de oposição nesta matéria. Porém, a emenda teve 291 votos contrários e não prosperou.

Depois da aprovação do texto-base, o PDT apresentou um destaque que pretendia retirar “a necessidade de convenção coletiva de trabalho para a possibilidade de registro de ponto por exceção à jornada regular de trabalho”. No entanto, a Câmara dos Deputados rejeitou todos os destaques à proposta e encerrou a votação, encaminhando o texto ao Senado.

Os deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Zeca Dirceu (PT-PR)

Faltas no PT

Dos 54 deputados do PT na Câmara dos Deputados, 21 não estiveram presentes na votação texto-base da proposta, no dia 13 – incluindo a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann (RS). Com isto, os parlamentares também receberam críticas de internautas contrários à medida de Jair Bolsonaro.

“21 abstenções (faltas) de 54 deputados do PT que é um partido muito mais organizado que PDT e PSB em uma matéria tão importante como essa, é assustador”, argumentou um internauta.

“Só as abstenções do PT dão quase a bancada inteira do PDT. E garanto que esses deputados do PT que se abstiveram não estavam com diarreia no banheiro na hora da votação”, reclamou outro.

O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) foi um dos parlamentares que não esteve presente na votação do texto-base.

Em entrevista ao jornalista Willian Faria, parceiro do Independente, na última sexta-feira (16), o parlamentar comentou as faltas de deputados do partido.

“Para votar a Medida Provisória da Liberdade Econômica, foi necessário aprovar uma serie de requerimentos, destaques, emendas… Acho que deve ter tido mais de 20 ou 30 votações, inclusive madrugada adentro. Pode ser que algum deputado ou outro saiu para almoçar, tomar café e não participou de uma ou outra votação. Qualquer distorção disso é fake news, é mentira de gente utilizando da maldade para tentar desinformar as pessoas”, disse o deputado petista, que seguiu a argumentação.

“Havia três últimos destaques, e já era mais de meia noite, para ser votados. Havia um acordo entre os líderes de que esses destaques não teriam votação nominal. No meio do segundo ou terceiro destaque, um dos líderes do partido, acho que do Novo, descumpriu o acordo, pediu junto com o PSL votação nominal e aí muitos deputados, até porque era um acordo, não seria nominal, já tinha consenso de aprovar os destaques, tinham acabado de sair e acabaram ficando com falta por não ter participado”, concluiu.

O deputado também defendeu a posição de seu partido na votação e criticou a MP da Liberdade Econômica.

“Nossa bancada tem postura fechada nesse assunto, nossos deputados votaram de forma igual, contra a medida de liberdade econômica, que na verdade não trata de liberdade econômica. Isso está sendo usado como uma mentira, inclusive enganando e desrespeitando os pequenos empresários e os comerciantes”, argumenta.

“No foco do assunto, na hora da votação do texto principal, das emendas que tinham disputa de voto, toda nossa bancada do PT e inclusive dos partidos de esquerda, de oposição, ficamos ao lado do trabalhador, que não pode ser obrigado a trabalhar ao domingo, que não pode perder o direito do registro do livro do ponto para ter suas horas extras, para contar os dias trabalhados, e foi totalmente desrespeitado”.

Dirceu ainda afirma que a MP de Liberdade Econômica gerará mais desemprego no país.

“Eu diria que a Medida Provisória da Liberdade Econômica foi uma continuidade da Reforma Trabalhista que já deu errado. Mas como eles têm vergonha de reconhecer e falar, eles inventaram um subterfúgio, uma palavra bonita para aprovar leis que tiram dinheiro de circulação, que achatam salários e vão gerar mais desemprego no país”, conclui o parlamentar.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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