‘Tem que discutir o desenho do evento’, diz Haddad sobre o Direitos Já; idealizador afirma que o grupo defende uma ‘justiça imparcial’

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(Assista) Haddad ressaltou que havia petistas presentes no encontro, enquanto Fernando Guimarães, um dos organizadores do evento, disse que não ocorreram censuras às exigências de “Lula Livre”.

Por Rafael Bruza e André Henrique

Momentos antes de um ato com presença de Glenn Greenwald, na Faculdade de Direito da USP, nesta segunda-feira (09), o ex-prefeito de SP, Fernando Haddad, minimizou críticas que acusam o PT de não ter enviado lideranças ao evento Direitos Já, na semana passada, e sugeriu discutir o “desenho” do encontro.

“O Suplicy estava lá, o Fernando (organizador do evento) fala comigo por telefone, não tem nada a ver. O problema é que às vezes tem que discutir o desenho do evento. Não é bom evento a portas fechadas”, disse Haddad ao Independente.

O evento “Direitos Já” reuniu 16 partidos em oposição a Bolsonaro, na semana passada, no Teatro da PUC-SP, e teve presença de figuras como Flávio Dino (PCdoB), Ciro Gomes (PDT, Márcio França (PSB) e Marta Suplicy, hoje sem partido.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez um vídeo transmitido no encontro. O ex-governador de SP, Geraldo Alckmin, enviou mensagem manifestando “apoio” ao movimento.

Também havia representantes da UNE, CUT, UGT e Força Sindical.

Entre representantes do PT, Eduardo Suplicy e Nabil Bonduki estiveram presentes.

Haddad participou do grupo como organizador, em maio, mas não esteve presente no evento da semana passada. A assessoria do petista informou que ele não foi ao encontro porque teve um compromisso pessoal com uma pessoa, em sua residência em São Paulo, no mesmo horário do evento Direitos Já.

O ex-prefeito de SP, que concorreu à Presidência em 2018, Fernando Haddad (PT) / Foto (Rafael Bruza/Independente)

Idealizador nega censuras ao “Lula Livre”

Ainda no ato realizado na Faculdade de Direito da USP, na segunda-feira (09), o Independente conversou com Fernando Guimarães, um dos principais organizadores do evento Direitos Já, que é filiado ao PSDB e pertence a uma corrente da sigla chamada “Esquerda Pra Valer”.

Ele nega que o movimento tenha impedido gritos de “Lula Livre”, a favor da liberdade do ex-presidente Lula, e ressaltou que o Direitos Já defende uma “justiça imparcial” para todos.

“Evidentemente não ocorreu nenhum tipo de censura. Não se faz um ato pela Democracia com qualquer tipo de censura”, diz Guimarães. “O ‘Direitos Já’ tem a posição de que todos, sem exceção, num Estado Democrático de Direito, têm direito a uma Justiça imparcial. Isto é um posicionamento nosso e serve para todos, para qualquer cidadão brasileiro. O Flavio Dino foi lá e fez o discurso dele (citando o ex-presidente). Se manifestou, as pessoas aplaudiram, gritaram, teve grito de ‘Lula Livre’. Isso é da plateia”.

Sobre a acusação de que o evento censurou uma peça que teria relação com a situação do ex-presidente Lula, o organizador declarou que os artistas tiveram problemas de agenda para se apresentar.

“Houve um grupo de teatro que se ofereceu a apresentar. Eles disseram que tem um espetáculo grande, de quase uma hora e sugeriram que a gente pudesse escolher algum trecho. Falei que, pela loucura que estávamos no evento, eu não teria condição de escolher e pedi que eles propusessem algum texto”, diz Guimarães. “Eles informaram a gente simplesmente que não havia agenda para os artistas se apresentarem, que estavam muito agradecidos pelo convite e que estariam aqueles que pudessem estar presentes. Mas não teve nenhum tipo de censura”.

Guimarães também diz que foram divulgadas “inverdades” sobre o evento.

“Disseram, por exemplo, que o evento era fechado. Não era. Na verdade, convidamos muitas organizações sociais e tinha uma pluralidade de sociedade incrível. Foram mais de mil ofícios convidados. Como o espaço comporta 650 pessoas, mais ou menos, uma grande parte dos convidados era de organizações, mas estava aberto. Todos os estudantes da PUC que quiseram entrar no ato, entraram, participaram e ficaram muito a vontade lá dentro”, declarou.

Ele ainda afirmou que “nenhum partido foi de ponta a ponta” e ressaltou que o PT teve representantes no encontro.

“Alguns podem dizer que algum partido não foi, mas nenhum deles foi de ponta a ponta. Era um ato representativo. Por exemplo, tivemos presença do Suplicy, do Nabil (Bonduki) e lideranças de 16 partidos. Então foi muito plural. Aqueles que não puderam ir por uma questão de agenda, certamente estarão presentes em outros (eventos), serão muito bem vindos. Inclusive não estiveram lá, mas participaram da construção e estão no movimento, que é amplo”.

O organizador também apontou passos futuros do Direitos Já.

“Nós vamos continuar mobilizando a sociedade, vamos correr o Brasil, visitar os Estados, ter uma vigilância permanente em defesa do Estado Democrático de Direito. Esses são nossos principais compromissos. Não é um movimento que vem numa corrida de 50 ou de 100 metros. Não sabemos o que vem pela frente, então temos 2, 3 anos, o tempo que precisarmos, para conseguir manter esta união com responsabilidade porque, se for necessário, estaremos juntos para dizer ‘não ousem, a Democracia será garantida’”, concluiu.

Polêmicas e críticas

Ao longo da semana, internautas debateram a posição do Partido dos Trabalhadores em relação ao evento, repercutindo um artigo de João Filho, publicado no sábado (08), no site The Intercept Brasil e intitulado “O PT se recusa a dar as mãos para defender o país”.

O texto afirma que o Direitos Já “é uma tentativa de formar uma frente ampla em defesa da democracia contra os ataques do governo Bolsonaro” e ressalta que lideranças do PT não estiveram presentes.

O autor do post, João Filho, recebeu diversas críticas no Twitter pelas críticas ao PT.

Tuite mais curtido na publicação do The Intercept Brasil no Twitter

O jornalista João Filho respondeu as críticas, momentos depois – veja o tuíte mais abaixo.

“Fiz uma crítica ao que considero um erro de estratégia do PT, coisa que muita gente do próprio partido faz. É uma crítica que eu faço aqui no Twitter desde o ano passado. Para muitos isso foi o suficiente para me joga na vala do antipetismo. Quanta ignorância”, afirmou.

A deputada federal, Erika Kokay (PT-cjdnjcdns) fez uma enquete em seu perfil de Twitter, questionando se o PT deve dar as mãos ao PSDB, DEM e Centrão para defender a democracia e o Brasil.

Cerca de 3 mil internautas opinaram sobre a questão: 53% deles votou não, 31% votou sim e 16% optou pelo “talvez”.

Outras falas de Haddad

Ainda na entrevista ao Independente, o ex-prefeito disse que vai “derrubar” a condenação que sofreu na Justiça Eleitoral, por falsidade ideológica, no final de agosto.

“A informação é de que uma gráfica pequena prestou pequenos serviços para mim e não tinha condições de prestá-los. Nós apresentamos toda a documentação comprobatória ao Tribunal. Eu acredito que o tribunal vai ter serenidade, com base nos documentos, de rever (a sentença). Está tranquilo”, disse Haddad.

Por último, ele comentou as reportagens do The Intercept sobre as mensagens privadas da Operação Lava Jato, argumentando que o ex-presidente Lula foi preso sem ter cometido crimes.

“Até aqui já tem material farto para mostrar que, efetivamente, não havia base para sequer impedir o Lula de assumir a Casa Civil, quanto mais ser condenado por um crime que nem existe. Então é uma situação muito anômala, né?”, concluiu o ex-prefeito.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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