Temer, Dilma ou novas eleições: o que você prefere?

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A afastada e o interino têm relativo apoio na sociedade, mas pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros prefere mesmo novas eleições. É possível fazê-las?

Análise – Rafael Bruza

A presidente afastada, Dilma Rousseff, e o presidente interino, Michel Temer / Foto - Reprodução
A presidente afastada, Dilma Rousseff, e o presidente interino, Michel Temer / Foto – Reprodução

O Impeachment de Dilma Rousseff não é definitivo. Michel Temer só ficará na Presidência até 2018 se dois terços do Senado Federal votar a favor do Impeachment em decisão que precisa ocorrer até novembro, prazo máximo do afastamento de Dilma, mas que pode ser feita no final de agosto, segundo previsões de jornalistas e políticos.

Em paralelo, todas as pesquisas indicam que os brasileiros preferem novas eleições nacionais, inclusive aquela do instituto Datafolha que sofreu manipulação feita pela Folha de S. Paulo.

O jornal ocultou informação de que 62% dos entrevistados pelo instituto (que faz parte do Grupo Folha junto com o Portal UOL) preferia novas eleições e destacou apenas que “50% dos brasileiros” querem Temer na presidência até 2018, indicando que outros 32% queriam a volta de Dilma e apenas 3% desejavam novas eleições.

Logo foi revelado que o instituto só perguntou se os entrevistados preferem Dilma ou Temer. E todos descobriram que a questão das novas eleições foi deixada de lado, em um dos maiores escândalos de manipulação de pesquisas de opinião da história do país.

Alguns jornais denunciaram a manipulação feita pela Folha. Outros não…

De qualquer forma, outras pesquisas mostram que mais da metade dos brasileiros preferem um presidente escolhido nas urnas.

Nesta terça-feira (26), a BBC teve acesso exclusivo à pesquisa da consultoria Ipsos que indica que 52% dos entrevistados apoiam a convocação de eleições antecipadas para outubro, quando ocorrem as disputas municipais por vagas de prefeitos e vereadores.

Os dados também indicam que 20% preferem a volta de Dilma e 16% querem que Temer seja presidente definitivo do país, enquanto 12% não souberam ou não quiseram responder.

Antes disso, em abril, pesquisa Ibope apontou que uma maioria de 62% dos brasileiros apoiava a realização de novas eleições.

Então não há dúvidas de que a maioria da sociedade deseja mesmo a realização de eleições, apesar da enorme polarização que domina a política nacional com radicalismo desde a eleição de 2014.

A situação de Dilma e Temer

Se Temer está com problemas de legitimidade para fazer mudanças estruturais que ele, aliados e simpatizantes pretendes, como a privatização da Petrobrás, o problema de Dilma continua sendo o de três meses atrás: governabilidade.

A presidente afastada pode até retornar a seu cargo diante de uma derrota de Temer no Senado Federal, mas ela e seus aliados sabem que seria praticamente impossível governar com um Congresso hostil que a afastou em maio e está disposto a fazer dura oposição a suas intenções.

Por isso mesmo a chefe de estado afastada disse algumas vezes que faria novas eleições caso vencesse a votação definitiva do Impeachment no Senado.

Sabendo dos resultados das pesquisas de opinião que apontam apoio da maioria a novas eleições e da impossibilidade de recompor governo (por não ter apoio de outros partidos do Congresso), Dilma joga para a torcida e ganha força no Senado ao supostamente fazer a vontade da maioria dizendo: “nem eu nem Temer, vamos encontrar alguém que vença nas urnas”.

A estratégia foi inicialmente mal vista por sindicatos e militantes que reforçaram muito a narrativa do “golpe”.

Não gostaram da sugestão de Dilma porque o apoio a novas eleições dá a entender que existe uma mínima legalidade do Impeachment e enfraquece o discurso de que “só a volta de Dilma pode corrigir esse golpe”.

Mas a depender de como a política avance, esse sentimento pode perder força.

O interino, em contrapartida, faz o possível para não perder apoio na sociedade e no Congresso, pois instabilidade política em relação ao Governo significa, na prática, problemas para vencer a votação no Senado e consequentemente para seguir no poder até 2018.

Por isso, o presidente interino voltou atrás na decisão de extinguir o Ministério da Cultura. E por isso exonerou todos os ministros que apareceram em gravações do delator Sérgio Machado, como Romero Jucá (apesar de, na prática, Jucá ainda ser parte do Governo por contribuir nas decisões).

Temer simplesmente não se pode dar ao luxo de sofrer oposição. Sua aprovação é baixa (14%, segundo a pesquisa recente e fraudada do Datafolha, que é um número similar ao que Dilma tinha antes do Impeachment) e qualquer instabilidade descontrolada pode gerar debandada de apoio no Senado, inviabilizando seu governo até 2017.

Então o interino está atento e apaga incêndios assim que algo pega fogo.

O único caminho para novas eleições

A Constituição Federal não contempla antecipação das eleições. Esse mecanismo é típico de sistemas parlamentaristas, mas não presidencialistas como o do Brasil.

Na verdade, alguns juristas inclusive afirmam que antecipá-las é inconstitucional por quebrar a determinação que trata sobre a periodicidade das disputas eleitorais (que as eleições sejam feitas sempre em certo período de tempo).

Portanto, a única chance de realizar novas eleições é que Temer e Dilma renunciem juntos.

Mas, atenção: para que o povo vote e escolha presidente, as renúncias devem ocorrer ainda em 2016.

Se chegarmos a 2017 com Temer ou Dilma e ambos renunciarem, teremos eleições indiretas no Congresso Nacional, pois a Constituição indica que a vacância na presidência depois da metade do mandato presidencial deve ser resolvida com a realização de eleições indiretas.

Dilma foi reeleita em 2015, assumiu em 2015 até 2018 e a metade do mandato é exatamente na virada de 2016 para 2017. Portanto, o cidadão que quiser votar nas novas eleições deve exigir renúncia dupla dos presidentes até 31 de dezembro.

E, não sei vocês, mas essa opção de eleições indiretas não me agrada nada. A Câmara acabou de escolher Rodrigo Maia, do Democratas (DEM), como presidente, em uma votação secreta cheia de acordos interessados e alianças mesquinhas que deveriam ser dignas de vergonha.

Não quero que o presidente do Brasil seja eleito de forma indireta, igual na Ditadura. Então, se for para renunciar, que Dilma e Temer o façam em 2016!

Mas essa é só minha opinião. Quero saber o que vocês preferem: Dilma, Temer ou novas eleições?

A resposta ajuda a decidir o futuro do Brasil.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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