“Tinha que fingir que não sabia”, disse Dallagnol sobre acusação contra Onyx Lorenzoni

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Em mensagens de 2017, publicadas pelo The Intercept, o coordenador da Lava Jato não explica por que “fingiu” desconhecer uma acusação contra Onyx Lorenzoni.

Quatro meses antes, Dallagnol classificou Onyx como um “defensor” das 10 Medidas Anticorrupção – proposta apresentada pelo MPF.

Moro também elogiou Onyx por sua atuação no trâmite da proposta.

Por Rafael Bruza

Em abril de 2017, o procurador da República, Deltan Dallagnol, fingiu desconhecer a acusação de um executivo da Odebrecht, contra o então deputado federal do DEM-RS e atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

O caso foi revelado a partir de mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e divulgadas no Twitter oficial do site, nesta segunda-feira (12).

Na conversa privada, Dallagnol admite que “foi bom” “fingir que não sabia” nada sobre a aparição do nome de Onyx Lorenzoni na chamada Lista de Fachin.

O atual ministro apareceu como alvo de um dos inquéritos autorizados pelo magistrado do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, em abril de 2017, com base nas delações premiadas da empreiteira Odebrecht.

11 de abril de 2017

Fabio Oliveira – 21:30:21 – Viu que saiu o nome do Onyx na lista do Facchin hoje?

Deltan Dallagnol – 21: 30:21 – Vi… (já sabia, mas tinha que fingir que não sabia, o que foi, na verdade, bom rsrsrs)

Dallagnol – 21:33:41 – Não que não quisesse falar, mas se falasse seria até crime rsrs

Fabio Oliveira é uma das lideranças do grupo Mude, usado por Deltan Dallagnol para fazer lobby no Governo e no Supremo Tribunal Federal, de acordo com a última reportagem do The Intercept sobre as mensagens privadas da Lava Jato.

Na conversa, Dallagnol não especifica por qual motivo ou em que momento fingiu desconhecer a acusação contra Onyx.

O deputado, porém, foi apontado pelo próprio Deltan Dallagnol, em agosto de 2016 – quatro meses antes do diálogo com Fabio Oliveira – como um “defensor” do projeto das 10 Medidas Anticorrupção.

A proposta foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em março de 2015 e recebeu apoio de 1 milhão de pessoas, em campanha liderada pelo procurador Deltan Dallagnol.

Além de “defensor”, Onyx era relator das 10 Medidas Anticorrupção na Câmara dos Deputados, quando a Lista de Fachin foi publicada, expondo delação do ex-diretor da Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, que acusou o atual ministro de receber R$ 175 mil da empreiteira, via caixa 2, durante a campanha de 2006.

A conversa entre Dallagnol e Oliveira foi feita no mesmo dia em que a informação e a lista de Fachin se tornaram públicas.

Acusações contra Onyx

O inquérito contra Onyx Lorenzoni, relacionado com a acusação do ex-diretor da Odebrecht, foi arquivado em junho de 2018, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux.

Em maio de 2017, no entanto, Onyx Lorenzoni foi acusado de receber R$ 100 mil através de caixa 2 do grupo J&F, dono do frigorífico JBS, em duas campanhas eleitorais: de 2012 e 2014, quando ele se elegeu deputado federal pelo DEM do Rio Grande do Sul.

O atual ministro da Casa Civil admitiu ter sido eleito com ajuda de caixa 2 da empresa, na campanha de 2014, mas não confessou a acusação de 2012.

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, e o atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni

Em dezembro de 2018, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin atendeu pedido da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, e determinou abertura de um processo de apuração dos casos de caixa dois pagos a Onyx Lorenzoni (DEM).

A despeito da confissão e da investigação, o caso ainda não gerou penalidades ao atual ministro da Casa Civil.

Apoio de Moro

Quando foi apresentado como ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, em novembro de 2018, o ex-juiz federal responsável pelos processos da Operação Lava jato em Curitiba, Sergio Moro, afirmou que Onyx Lorenzoni tem sua “admiração” e “confiança pessoal”, por conta de sua atuação no trâmite das 10 Medidas Anticorrupção.

A declaração foi dada após uma jornalista questionar Moro sobre a abertura de inquérito contra o colega de Governo.

Moro defendeu o ministro da Casa Civil, na ocasião.

“O que eu tenho, a presente, do ministro Onyx, e isso eu assisti de perto, foi o grande esforço que ele realizou para aprovar as dez medidas do Ministério Público, ocasião na qual ele foi abandonado pela grande maioria dos seus pares, por razões que não vem aqui ao caso. Mas ele demonstrou naquela oportunidade o comprometimento pessoal, com custo político significativo, para a causa anticorrupção. Então, ele tem a minha confiança pessoal”, disse o atual ministro da Justiça.

Moro também comentou o caso específico do caixa dois.

“Quanto a esse episódio do passado, ele mesmo admitiu seus erros, pediu desculpas e tomou as providências para repará-los”, afirmou Moro.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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