Todo desgaste de Michel Temer favorece Dilma Rousseff

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Governo interino ainda não tem os votos necessários para ‘impichar’ Dilma definitivamente e o desgaste de Michel Temer pode gerar fuga de votos a favor do Impeachment.

dilma e temer

Análise/Opinião – Rafael Bruza

A presidente Dilma Rousseff sofreu Impeachment e Michel Temer será presidente do Brasil até 2018. Certo ou errado?

Errado!

Dilma foi afastada de suas funções provisoriamente, durante 180 dias (cerca de seis meses) e ainda deve ocorrer uma última votação no Senado Federal, que decidirá se a presidente afastada perde o mandato e o direito de votar e ser votada por oito anos ou se retorna às suas funções normais de presidente, com Michel Temer na vice-presidência novamente.

Então nada está definido na questão do Impeachment.

Há previsão de que essa votação definitiva no Senado não aconteça antes de setembro (o prazo de 180 dias acaba no começo de novembro).

E para oficializar Michel Temer (PMDB) como presidente da República até 2018, pelo menos 54 senadores (dois terços da casa) devem votar a favor da destituição de Dilma Rousseff.

Se mais de 27 senadores votarem contra o Impeachment, Temer volta a ser vice e Dilma reassume seu cargo.

Estimativas do Mapa do Impeachment (organizado pelo Movimento Vem Pra Rua) e do Mapa da Democracia (feito por defensores de Dilma Rousseff), concordam nesta terça-feira (31) ao dizer que 45 senadores apoiam o Impeachment da presidente.

No grupo que vota contra o Impeachment há 19 senadores, segundo o Mapa da Democracia e 23 segundo o mapa do Impeachment.

Então de fato faltam votos para ‘impichar’ ou absolver Dilma Rousseff definitivamente na votação do Senado.

E nesse ponto, Michel Temer tem um problema especial, pois a Presidência da República é um foco de críticas concentradas e o desgaste político de seu projeto tende a convencer senadores a votarem contra o Impeachment.

Após 19 dias de Governo, Temer coleciona polêmicas e contradições que abalam seu projeto e sua eventual permanência na Presidência da República.

Fabiano Silveira foi exonerado do Ministério da Transparência após outro áudio de Sérgio Machado onde o ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ, que tem a tarefa de corrigir erros do Judiciário) criticava a Operação lava a Jato.

Contando Romero Jucá, Silveira foi o segundo ministro de Estado a deixar o governo em menos de vinte dias!

Com essa situação, senadores como Romário (PSB – RJ) e Acir Gurgacz (PDT – RO) já admitiram que podem votar contra o impedimento, a depender dos acontecimentos políticos que aconteçam nas próximas semanas ou meses.

Essa posição não está fechada, como eles mesmos declararam. Mas está na cara que outros senadores com certeza consideram essa hipótese sem revela-la à imprensa.

E por isso o desgaste de Michel Temer favorece a volta de Dilma Rousseff à Presidência da República.

É uma hipótese apenas. E haveria questões políticas ligadas à popularidade e governabilidade que, hoje, travam essa volta.

Mas ela de fato pode acontecer.

Sabendo disso, Dilma não renunciará e a oposição interina fará muita pressão ao governo interino para criar a conjuntura política necessária à queda de Temer, em uma campanha similar (mas ao mesmo tempo diferente) à apresentada pelos defensores do Impeachment antes do afastamento de Dilma Vana Rousseff.

Mesmo que essa campanha não leve Dilma de volta ao poder, uma situação política insustentável para Temer poderia fortalecer, por exemplo, a antecipação das eleições gerais (algo que eu, pessoalmente, apoio).

É o jogo do Impeachment. E as peças ficarão no tabuleiro até setembro, pelo menos.

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