Três análises breves que expõem a situação atual da crise política

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Renúncia, Impeachment, posturas da sociedade e problemas para realizar eleições diretas: veja diferentes pontos de vista sobre a crise política que Michel Temer sofre.

Por Rafael Bruza, editor do Independente, em seu perfil de Facebook

O presidente, Michel Temer / Foto – Divulgação (Presidência da República)

Análise 1 – Renúncia, Impeachment ou Temer na Presidência da República?

Temer disse que não renunciará: “se quiserem, me derrubem”, afirmou o presidente em entrevista à Folha.

Isso mantém o país na situação atual, onde Governistas só querem que alguém aprove as reformas da Previdência e Trabalhista.

Para evitar isto, a oposição quer travar a pauta no Congresso pedindo saída de Temer, enquanto a base aliada do Governo decide até quarta-feira (após julgamento do STF sobre manutenção do inquérito contra o presidente) se o peemedebista continua ou não no cargo.

A chave dessa decisão da base aliada ainda está nas mãos do PSDB, que tem a maior bancada governista no Congresso depois do PMDB.

Essa decisão final será tomada em conjunto com o DEM – grande aliado tucano – e tende a ser seguida pelos demais partidos aliados de Temer, em efeito cascata.

Cerca de um terço dos deputados do PSDB, encabeçados pela direção do Rio de Janeiro, defende Impeachment de Temer, rompimento com o Governo Federal e entrega de ministérios.

O presidente nacional do partido, o senador Tasso Jereissati (CE), no entanto, pediu em seu último comunicado que os ministros continuem no Governo até posição final do partido.

A questão é: caso a base aliada rompa com Temer, seguindo uma eventual decisão do PSDB de abandonar o Governo, o presidente pode ser derrubado através de processo de Impeachment, como ocorreu com Dilma – onde uma maioria no Congresso se uniu para destituir a presidente.

Caso contrário, tentarão aprovar as reformas com Temer na Presidência da República, em situação relativamente benéfica à oposição de esquerda, que teria mais facilidade em travar a pauta do Congresso com um “presidente corrupto” do que com um presidente novo, eleito indiretamente no Congresso Nacional.

Análise 2 – Diferentes posturas na sociedade, à esquerda e à direita

A esquerda em sua maioria defende eleições diretas.

Ontem essa esquerda foi às ruas manifestar essa exigência, inclusive porque as pessoas sabem das altas intenções de voto que Lula possui hoje.

A direita está bastante dividida e indecisa.

A parte que defende o liberalismo econômico quer que “o corrupto Temer” saia para que outro presidente aprove as reformas.

A Globo e parte do PSDB (como a direção do Rio de Janeiro) se encaixam ideologicamente nesse grupo, o que explica tanto a campanha global pelas “Indiretas Já”, como o pedido de Impeachment de um deputado tucano protocolado na Câmara.

A parte conservadora da direita tem duas posturas diferentes: uma delas se encaixa no grupo acima, que pede saída de Temer e aprovação das reformas com outro presidente, enquanto a outra quer que Temer siga para que ele mesmo aprove as reformas e “acalme o país”

Nenhum desses lados da direita pretende eleições direitas, inclusive porque muitos acreditam que Lula pode sair eleito caso elas ocorram.

Análise 3 – Governo não tem interesse em eleições diretas

A única chance (real) de fazer eleições diretas está na PEC 227/2016, que prevê a convocação dessas diretas caso Temer caia até junho de 2018 (6 meses antes do fim do mandato).

Essa PEC teria que ser aprovada em 2 turnos na Câmara e no Senado. Mas o Governo obviamente não apoiará essa proposta, porque:

(1) o trâmite da mesma favorece a queda de Temer;

(2) as eleições indiretas oferecem mais controle aos governistas e a mídia, pois o presidente seria eleito no Congresso, onde maiorias já estão definidas; e

(3) porque não querem colocar as reformas em risco, diante de uma eventual vitória da esquerda (com Lula, por exemplo).

Então não quero desanimar vocês, mas as chances de eleições diretas são mínimas hoje, infelizmente.

Só resta a opção de travar a pauta no Congresso e fazer manifestações, mesmo.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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