Veja como a Globo distorceu noticia sobre o ranking de liberdade de imprensa

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Quero que você, internauta, veja com os próprios olhos como o Grupo Globo escondeu informação fundamental sobre a queda do Brasil no ranking de liberdade de expressão da ONG Repórteres sem Fronteira.

globo manipulaRafael Bruza

Meu papel nessa matéria é orientar você a perceber um episódio de manipulação do Grupo Globo.

Explico o caso. Em abril de 2016, a ONG Repórteres sem Fronteira divulgou o ranking mundial de liberdade de imprensa.

O Brasil perdeu cinco colocações graças a (1) número de assassinatos de jornalistas no país, (2) a concentração corporativa dos conglomerados de mídia e (3) ao “conflito de interesses” da imprensa nacional (entendida como a proximidade das empresas de comunicação poder político).

Depois de citar os assassinatos de jornalistas (ainda somos o terceiro país que mais mata jornalistas nas Américas), o comunicado de imprensa falou sobre o oligopólio da mídia e esse “conflito de interesses” que existe na imprensa de nosso país.

“O cenário midiático continua caracterizado pela grande concentração da propriedade dos meios de comunicação, nas mãos de algumas poucas grandes famílias e indústrias, que em muitos casos têm relações estreitas com políticos ou ainda que detém eles mesmos, direta ou indiretamente, cargos eletivos, como governadores e parlamentares”, afirma o relatório, que continua a denúncia após indicar que o “país dos 30 Berlusconi” continua existindo.

“Os meios de comunicação nacionais agem de forma a convidar suas audiências a precipitarem a saída da Presidenta Dilma Rousseff do poder. É difícil para os jornalistas de grandes conglomerados de comunicação trabalharem de forma serena, sem sofrer de interesses privados e partidários. Esses conflitos de interesses permanentes são evidentemente prejudiciais à qualidade da informação difundida”, conclui o comunicado.

Bom, o Grupo Globo é um desses conglomerados que possuem “conflitos de interesse”.

Então vamos ao desafio: quero que você entre em duas notícias de veículos do Grupo Globo (G1 e CBN, no caso) e veja com os próprios olhos como cobriram a queda do Brasil no ranking de liberdade de imprensa.

Para vias de comparação, coloco abaixo a notícia sobre o tema que fizemos aqui no Independente. Logo volte aqui para ver a conclusão. Estas são as notícias:

Brasil cai 5 posições em ranking mundial de liberdade de imprensa (G1)

Brasil perde cinco posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa (CBN, rádio do Grupo Globo).

“Brasil cai em ranking de liberdade de imprensa por assassinatos e concentração no setor” (Independente).

Conclusão

Você deve ter visto que em nenhuma das notícias do Grupo Globo há menção, citação ou informação sobre os parágrafos do relatório que citam a concentração da imprensa e o “conflito de interesses” como causa da perda de posições do Brasil no ranking de liberdade de imprensa.

As notícias do G1 e da CBN só falam dos assassinatos dos jornalistas, ignorando as demais causas.

Essa ocultação de informação essencial se chama autocensura e funciona como técnica de manipulação (damos informação sobre um fato, mas ocultamos a que nos afeta).

É uma técnica muito utilizada em meios de comunicação politizados como blogs de jornalistas-ativistas, que possuem intenções políticas específicas e escondem informações que vão contra suas causas, como se não existissem. Mas, claro, é uma conduta gravíssima para um conglomerado que se declara apartidário e imparcial. Por isso critico a Globo e não outros veículos que atuam de forma parecida.

Os G1 e a CBN simplesmente censuraram (não publicaram) a parte do comunicado que cita a concentração da mídia no Brasil e a tendência da imprensa brasileira de convidar “suas audiências a precipitarem a saída da Presidenta Dilma Rousseff do poder”, e assim fingiram de conta que só o assassinato de jornalistas gerou a queda do Brasil no ranking.

Ou seja, os veículos do Grupo Globo negaram ao cidadão o direito de saber a verdade completa: nosso país perdeu 5 colocações no ranking de liberdade de imprensa por ter uma estrutura de mídia oligopolista e partidarista e por ser o terceiro país que mais mata jornalistas nas Américas.

Fizeram isso porque, se os cidadãos tomarem consciência de que o Brasil tem menos liberdade de imprensa pela concentração na mídia e pelo comportamento político da mesma, como indica a ONG Repórteres sem Fronteira, os conglomerados de mídia teriam problemas em seus negócios, pois as correntes de avanço político diriam que é preciso limitar esse oligopólio para gerar mais liberdade de imprensa.

Aliás, muitos já dizem isso ao defender a regulação da mídia (que deve controlar a quantidade e variedade de empresas que formam os conglomerados, não seu conteúdo, atenção).

Enfim, os conglomerados de imprensa têm muito a perder com essa consciência cidadã. Por isso a controlam.

Jornalista formado em Madri, retornou ao Brasil em 2013 para lançar um meio de comunicação próprio. Idealizou, projetou e lançou o Indepedente em fevereiro de 2016. Acredita que o futuro do mundo está dentro de cada um de nós e trabalha para que as pessoas tenham uma visão realista, objetiva e construtiva do planeta Terra.

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